Quase trinta anos separam uma história incomum da Ginástica Artística na Gymnasiade. A
brasileira e árbitra internacional da Ginástica Artística, Jaqueline Pires,
hoje com 48 anos de idade, foi campeã da Gymnasiade, em 1982, na prova de
Salto, disputada na França, mesmo aparelho em que a ginasta brasileira, Rebeca
Andrade levou o ouro, durante a etapa individual realizada ontem (02 de
dezembro). “Fiquei super feliz em fazer parte desse momento, em ver a Rebeca
conquistando o mesmo título que atingi naquela ocasião, lembro que desbanquei a
favorita da competição, uma Romena, com um Thukahara com Pirueta, salto de
grande dificuldade para a época, e que inclusive, até hoje, poucas atletas
conseguem executar” recordou a ex-ginasta da Seleção Brasileira, Jaqueline
Pires (CREF_002967_G/DF), que atualmente além de árbitra internacional da
modalidade, é formada em Educação Física e trabalha na Secretaria de Educação
do Distrito Federal.
“Não imagino como era treinar naquela época, mas
acho que não devia ser fácil, achei muito legal saber que uma ginasta
brasileira, de outra geração, conquistou a mesma medalha que consegui agora,
fiquei feliz em poder repetir esse feito” salientou a campeã do Salto na
Gymnasiade 2013, Rebeca Andrade (14 anos). Segundo, Jaqueline, a Ginástica
evoluiu muito em quatro décadas.
“Comecei
na Ginástica Artística com oito anos, e nunca mais parei, costumo dizer que as
minhas duas paixões são a minha família e a ginástica. Nesses 40 anos que vivo
e respiro esse esporte, acompanhei diversos momentos do esporte no Brasil e no
mundo, e consigo notar claramente as mudanças. Quando comecei fui selecionada
numa peneira realizada na minha escola, eram 500 inscritos e apenas eu e mais
dois conseguimos uma bolsa para treinar na Gama Filho, na cidade do Rio de
Janeiro, aonde nasci. Quando chovia treinávamos em meio às goteiras do ginásio,
os tapetes eram mais finos, tudo era bem diferente, acho que o Brasil evoluiu
muito. Hoje temos aparelhagem de ponta e bastante técnica, além da nossa atual
presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Luciene Resende, nos dar
toda força para evoluir” ressaltou Jaqueline.
Ainda para à ex-ginasta, o brilho da nova geração
promete boas surpresas nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “Tenho
certeza que o evento será cheio de conquistas para a Seleção Brasileira,
estamos com um grupo muito bom, no feminino somos muito fortes no salto e no
solo, já no masculino temos as argolas com o Arthur Zanetti, e o solo com o
Diego Hypólito, certamente estamos vivendo um bom momento do esporte no País”,
disse Jaqueline que atualmente trabalha pela Secretaria de Educação do Distrito
Federal, buscando talentos nas escolas públicas de Brasília.
“É aonde mais encontramos promessas da Ginástica
Artística, costumo selecionar os melhores e levar para treinar no ASBAC, aonde
divido uma academia de ginástica com o meu sócio, os resultados dessa busca têm
sido excelentes, há pouco tempo, conquistamos a primeira colocação no Campeonato
Brasileiro, pré-infantil, em Aracaju. Os garotos oriundos dessas escolas
públicas costumam abraçar com toda força a chance de ser um ginasta
profissional e sempre obtemos grandes respostas. Mudei-me para o DF justamente
para trabalhar nessa vertente, e fico feliz em ver tudo dando certo. Aqui no DF
construí a minha família, tenho marido e filhos e também vivo o meu trabalho
intensamente, mas ainda conservo amigos no Rio de Janeiro, que começaram comigo
no esporte, e acompanham o meu trabalho, inclusive, uma delas foi a minha
madrinha de casamento, e também é árbitra da modalidade, então sempre nos
encontramos em campeonatos, e podemos desfrutar das boas lembranças. É muito
bom viver a cada dia uma nova emoção na Ginástica Artística” concluiu Jaqueline.
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