sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Bahia sem piscina olímpica consegue levar atleta à Gymnasiade

Apenas uma baiana terá a honra de representar o Brasil no maior evento esportivo escolar do mundo, a Gymnasiade 2013 – Jogos Mundiais Escolares, que acontece em Brasília, entre os dias 28 de novembro a 03 de dezembro de 2013. O evento está reunindo na capital federal os melhores atletas/estudantes com faixa etária entre 14 e 17 anos, de 40 países, nas modalidades de atletismo, ginásticas aeróbica, artística e rítmica, natação, judô, karatê e xadrez.

O irônico é que a única promessa nacional que está carregando a bandeira da Bahia no peito durante a Gymnasiade veio justamente de um esporte que conta com uma das piores estruturas no Estado, a natação. A atleta do Colégio Salesiano do Salvador,Thayana Taynara Andrade, está entre as doze melhores nadadoras do País na categoria. Mas diferente da maioria dos desportistas que conseguiram esse feito, a pequena Thayana (15 anos), treina diariamente numa piscina de 25 metros, na escola que estuda, e apesar disso já coleciona títulos de gente grande, como o de vice-campeã brasileira infantil e recordista baiana na prova de 100m borboleta. “Não é fácil treinar na piscina de 25m e competir na piscina oficial de 50m, o ritmo é outro, e acabamos em desvantagem em relação às atletas que contam com esse recurso” afirmou Thayana.

Não é por escolha própria que a jovem nadadora treina numa piscina de 25m, mas por falta de opção no Estado. A Bahia é o maior estado nordestino e o quinto maior do Brasil, com 417 municípios, mas apesar da extensão, atualmente não tem uma piscina oficial pública, contando apenas com uma piscina olímpica privada, localizada no SESI de Valença-BA, município situado a 280 km de Salvador.

Após o acidente ocorrido no Estádio da Fonte Nova, durante o jogo do Bahia X Vila Nova, em novembro de 2007, quando sete pessoas morreram, o Estádio foi imediatamente interditado. E assim como ele, em maio de 2010, a única Vila Olímpica da Bahia, que funcionava nas dependências da Fonte Nova, foi desativada, e três meses depois demolida junto com o estádio, hoje a Nova Arena Fonte Nova está pronta para a Copa do Mundo de 2014. Porém, a área era muito mais que o palco do futebol para a capital baiana, era também o local que abrigava dezenas de modalidades esportivas, abraçava três mil alunos gratuitamente há quase 20 anos, além de atletas e paratletas de alto rendimento. Uma das maiores perdas para a cidade foi à piscina de 50 metros, a última com medidas oficiais que ainda havia na cidade, com isso Salvador se tornou a única grande capital do Brasil sem uma piscina olímpica.

“Não é fácil viver essa realidade, esse descaso do poder público com o esporte baiano, hoje a natação da Bahia está resumida às escolas, pois os clubes que existiam faliram e fecharam as portas, e não há políticas públicas para o desporto baiano. Já fizemos manifestações solicitando aos governantes melhorias, e a construção de uma piscina olímpica para os nossos atletas, mas ficamos apenas com promessas enferrujadas. E hoje o pulmão da natação na Bahia é a escola particular, que ainda sustenta o esporte com suas piscinas semi-olímpicas”, afirmou o técnico do Colégio Salesiano do Salvador, Fábio Seixas, que está acompanhando a atleta, Thayana Taynara no Gymnasiade.



O projeto da Piscina Olímpica de Salvador, que substituiria o complexo da Fonte Nova, foi lançado em 22 de setembro de 2009. O projeto contempla uma área de 5.900m quadrados na Av. Bonocô, em Salvador e foi avaliado em quatro milhões e 500 mil reais, devendo possuir toda a infra-estrutura capaz de abrigar competições a nível nacional e internacional, porém até hoje não é notória uma grande evolução do equipamento, que tinha prazo de entrega de menos de um ano.


Com as condições atuais da capital soteropolitana, atletas como Thayana Taynara, encontram na escola seu maior alicerce. E o Estado, que já teve grandes nomes da natação brilhando no cenário internacional, como Edvaldo Valério, medalhista olímpico durante os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, ver a sua safra sendo reduzida por falta de apoio e equipamento adequado. “Em Salvador, atualmente todo mundo acaba aderindo ao mar por falta de piscina, não quero isso. No meio de tantos obstáculos que vivo na Bahia, me sinto uma vitoriosa, só pelo fato de estar aqui, e vou lutar com todas as minhas forças para trazer uma medalha para o meu País, não posso desperdiçar essa chance.” ressaltou Thayana.


Com a falta de piscinas olímpicas, o mar é a única opção na Bahia, que passou a revelar constantemente atletas de maratonas aquáticas, como Ana Marcela Cunha, a única brasileira na história a conquistar uma medalha de ouro num mundial da Federação Internacional de Natação, e Allan do Carmo, 3º Colocado na Copa do Mundo de Maratonas 2010. Um dos poucos atletas locais que é destaque nas piscinas internacionais, o nadador Luis Rogério Arapiraca, também mostrou recentemente que está perfeitamente adaptado ao mar, após ser bicampeão na prova mais tradicional de maratonas do país, a Travessia dos Fortes.
“Não é por acaso que estou na Gymnasiade, preciso mostrar a todos que não podemos entregar os pontos, se amamos a natação na piscina, temos que lutar por isso, e não precisar sair do Estado e abandonar a família, ou correr para o mar para continuar fazendo o que amamos, podemos superar tudo isso. Através do esporte escolar o poder público pode ver os talentos se despontando mundialmente, e investir no alto rendimento, para que mais tarde, a gente também possa continuar se destacando em outras categorias, vivendo na Bahia, e honrando o nosso Estado” concluiu Thayana Taynara.

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